24 de janeiro de 2022

Bolsonaro não perde a oportunidade de ficar calado, e despeja barbaridades diárias

 

Atropelado pela pandemia da Covid-19, que menosprezou desde o início, ecoando seu ídolo Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro vem fazendo um governo medíocre, com a inflação na casa de dois dígitos, desemprego altíssimo e a economia com fraco desempenho. As consequências do seu negacionismo vieram depois, diria o Barão de Itararé, editor do satírico jornal “A Manhã”, que, de tanto ser empastelado ou agredido por políticos e acólitos de autoridades descontentes com suas ferinas observações, pôs uma placa na entrada da redação: “Entre, sem bater”. Correndo atrás do prejuízo de ter perdido (como indicam as pesquisas) quase metade do seu cacife eleitoral conquistado em 2018, Bolsonaro virou o ano disposto a abrir o “saco de bondades” para tentar reconquistar eleitores até 2 de outubro de 2022.

Premido pelo calendário eleitoral, que botou na rua quando já se candidatou em 2019, já empossado, à reeleição, que prometeu cancelar, já se considerando em campanha, Bolsonaro não perde a oportunidade de perder uma oportunidade de ficar calado e despeja barbaridades diárias em suas aparições públicas, em “lives” ou em postagens nas redes sociais. Sobretudo as redes que não evitam “fake news”, como o "Telegram". As redes sujeitas ao controle social e das autoridades judiciais já baniram várias de suas postagens, com conteúdos absurdos ou mentirosos. Mesmo na dúvida de que foi o próprio presidente o autor das postagens, pois seu filho 02, o vereador carioca, Carlos Bolsonaro (Republicanos), que dá expediente no Palácio do Planalto e vai ser o coordenador de marketing da campanha, tem acesso direto aos domínios do pai-presidente nas redes sociais, o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral têm distribuídos cartões amarelos e advertências ao presidente da República por fazer de palanque eleitoral qualquer ato administrativo.

Responsável pelo inquérito das “fake news”, o ministro Alexandre Moraes, do STF, advertiu o presidente esta semana pelo uso dos canais oficiais da EBC para fazer propaganda e atacar os futuros adversários nas eleições. É muito importante que Moraes, que já integra o colegiado do TSE, atualmente sob o comando do ministro Luís Roberto Barroso, e que irá assumir o posto a partir de agosto e presidir o processo eleitoral, já demarque o terreno do que pode ou não se pode fazer na campanha. É mais ou menos como o juiz que chama os capitães ao centro do campo, antes do cara ou coroa para ver quem dá a saída ou quem escolhe o campo (no 2º tempo a força da torcida é fator crucial) e estabelece as regras de convivência em campo.

 Jornal do Brasil

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