6 de novembro de 2021

Venda de ativos da Petrobrás já supera R$ 239 bi em 6 anos. “E mais privatizações não vão baixar os preços!”, alerta economista

 A venda de ativos da Petrobrás, entre janeiro de 2015 e outubro de 2021, já soma R$ 239,9 bilhões.

Houve um aumento de 3,6% no montante, em relação ao valor acumulado no trimestre passado.

Os dados são do Privatômetro do Observatório Social da Petrobrás (OSP) e foram atualizados nesta semana, após a companhia divulgar, em 28 de outubro, o seu balanço financeiro do último trimestre.

Os números do Privatômetro consideram a variação da taxa de câmbio, para a conversão da moeda, e a inflação do período.

Neste terceiro trimestre do ano, a atual direção da Petrobrás se desfez de mais quatro ativos, totalizando R$ 1,729 bilhão.

A principal negociação do período foi a venda da Refinaria Isaac Sabbá (Reman), em Manaus, no Amazonas, ao Grupo Atem, por R$ 1,06 bilhão (foto abaixo).

Também foi vendida a totalidade da participação acionária de 93,7% da estatal na empresa Breitener Energética S.A., no estado do Amazonas, para a Breitener Holding Participações S.A., subsidiária integral da Ceiba Energy LP, por R$ 328 milhões.

Os outros dois negócios incluíram a cessão da participação de 10% da estatal no Campo de Lapa, no pré-sal da Bacia de Santos, para a Total Energies, por R$ 282 milhões.

E a venda da fatia de 40% da companhia na empresa GNL Gemini Comercialização e Logística de Gás Ltda (GásLocal) para a White Martins Gases Industriais Ltda, por R$ 59 milhões.

Na distribuição do percentual por país, segundo o Privatômetro, 80% dos ativos vendidos no trimestre foram adquiridos por empresas brasileiras, 16% ficaram para a França e 3% com os Estados Unidos.

“Analisando os totais desde 2015, percebemos que não houve alterações substanciais no último trimestre. Os países que se mantêm na lista dos top 5 maiores compradores dos ativos vendidos pela Petrobrás são o Canadá, em primeiro lugar, seguido pela França, Brasil, Noruega e os Estados Unidos”, afirma o economista Eric Gil Dantas, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) e do OSP.

Segmentos

Em termos setoriais, o Privatômetro mostra que, neste terceiro trimestre, foram negociados 61% de ativos do segmento Refino, 22% de Distribuição e Revenda e 17% de Exploração e Produção.

No total, os setores com mais ativos da Petrobrás privatizados foram os de Exploração e Produção (38%), Transporte (30%), principalmente por conta da NTS e da TAG, Distribuição/Revenda (23%), sendo a BR um dos ativos mais valiosos negociados pela estatal até agora, e Refino (6%).

“Privatizar as refinarias é o principal objetivo de curto prazo da direção da Petrobrás. Esse programa seguirá como um problema, já que, em meio à crise do preço dos combustíveis, a estatal entregará parte do parque de refino à iniciativa privada e essas empresas não farão os investimentos necessários para a ampliação da capacidade instalada. E pior, atuarão como monopólios privados regionais, possibilitando ainda mais a subida de preços e mantendo nas alturas o nível de importações”, destaca Dantas.

Raio-X das privatizações

Privatômetro é uma ferramenta criada pelo OSP para informar a população sobre os ativos da Petrobrás que estão sendo vendidos, os valores que essas transações envolvem e a consequências dessas negociações para o país. É um instrumento que funciona como um raio-X das privatizações da estatal.

Na página, instalada no site do Observatório, são sistematizadas as vendas de ativos da Petrobrás desde 2015, período que seria o início do plano de desinvestimento da estatal, até os dias atuais.

Também podem ser acessados gráficos com a distribuição percentual da venda de ativos por segmento e nacionalidade das empresas compradoras, além da planilha completa de desinvestimentos.

Os dados disponibilizados no Privatômetro são atualizados trimestralmente, após a divulgação dos resultados financeiros pela Petrobrás.

 

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