11 de março de 2021

O Estadista -"O craque entrou em campo"



No total, quase duas horas e meia de aula de Política, divididas entre explanação e coletiva de imprensa. Lula foi portentoso. Ninguém fala como ele ao povo, de maneira simples, sobre temas complexos. Deu até um sopro de esperança que nada está perdido definitivamente no Brasil. Nos acostumamos, na triste e genocida quadra atual, ao ruminar de Bozo e suas ignorâncias. E eis que um homem do povo surge de novo e nos lembra que é possível liderar, ser estadista sem ser chulo. Lula é diferente, é o camisa 10.

Certeiro e responsável, o ex-presidente centrou a fala na necessidade da vacina que falta e por isso brasileiros estão morrendo. Pregou o uso de máscara e álcool gel para proteger vidas e esconjurou as armas. Fica até ridículo falar em "polarização" quando se tem, de um lado, alguém que concatena ideias e, de outro, um genocida especializado no "tocante a isso aí" e "ouvi falar". Mas vamos ao que interessa, a fala de Lula.

Ouvi, e estou mais convencido que ontem, que Lula será candidato novamente. O pronunciamento foi macro em palavras simples. Vacinas, auxílio emergencial, elogios e defesa do SUS, inconformismo com a "naturalização das mortes" etc. Tudo que qualquer pessoa com valores humanos mínimos deseja. Estamos com tão pouco que isso é um avanço. Mas Lula não parou aí, atacou a política econômica higienista social de Guedes, pediu a oposição do mercado se o preço a pagar for privatizações, acenou para a conciliação em termos delimitados pela defesa do emprego e do povo, lembrou que o Brasil em época recente não era pária internacional e, para culminar, foi categórico ao afirmar que não aceitará mais o confinamento moral e político que os bandoleiros do Paraná lhe impuseram.

Para quem não sabe, durante alguns anos fui quase um "setorista de PT e Lula" na Folha de S. Paulo. Setorista é aquele que cobre determinado assunto prioritária ou exclusivamente. Sem hipócrita falsa modéstia, conheço bem o homem. Confesso até que as longas falas de Lula naquele período me enfadavam por já conhecer o encadeamento do raciocínio e onde desembocaria. Mas hoje foi diferente. Habituado à bizarrice do genocida, às imposturas de Doria, ao papai sabe tudo de Ciro etc, Lula cativa, prende a atenção. É aquele craque, usando uma metáfora futebolística tão ao gosto dele, que volta à atividade depois de longo tempo afastado devido a uma entrada desleal do adversário. A torcida sabe que ele é o melhor jogador, que já nos deu vitórias memoráveis. Isso é Lula. Se voltar ao Poder, não se iludam os revolucionários, não haverá a implantação do socialismo. Haverá sim melhores condições de vida para pobres e diminuição grande da miséria. Não é pouco em País que sofre com o fascismo no Poder.

Lula muda o jogo, quer gostem ou não. E estávamos mesmo precisando de perspectiva de mudança. É espantosa a diferença do discurso do ódio e da ignorância que se abateu sobre o País na comparação com a esperança de palavras simples mas inteligentes. Coisa de um líder. Agora, além de Bozo, as crianças estão fora do jogo. O camisa 10 voltou.

Do jornalista  Carlos Eduardo Alves.

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