5 de dezembro de 2019

Parlamentares protestam no aniversário de um ano de escândalo Queiroz

 
O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), sugeriu hoje que o dia 4 de dezembro seja declarado como Dia Nacional contra Impunidade. A sugestão, em tom de protesto, foi feita no plenário da Câmara, por ter-se completado nesta quarta-feira um ano da divulgação do relatório do antigo Coaf que apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão, em 2016 e 2017, nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do atual senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro. “Um ano de impunidade de Queiroz”, reclamou o líder.
Para Pimenta, Queiroz era um verdadeiro “PC Farias” da família Bolsonaro, já que recebia dinheiro de familiares de milicianos empregados por Flávio Bolsonaro. Esse dinheiro irrigava as contas de Queiroz para pagar despesas pessoais dos Bolsonaro, incluindo a atual primeira-dama, Michele Bolsonaro. “Era o tesoureiro da família e por isso que os Bolsonaro lutam até hoje de forma desesperada para que a sociedade não conheça a movimentação financeira de Queiroz”, denunciou o líder do PT.

Sigilo bancário

Pimenta disse que abre mão de suas prerrogativas parlamentares para ser processado pela família Bolsonaro, se o que está dizendo for mentira. Na hipótese de processo, Pimenta adiantou que os Bolsonaro terão que provar que o que fala não procede, o que pode ser feito com a quebra do sigilo fiscal e bancário de Queiroz, com toda a sua movimentação financeira nos últimos dez anos.
“Vamos quebrar o sigilo de Queiroz e provar que o que digo é verdade. Vocês (Bolsonaro) serão desmascarados junto com Queiroz, mais dia, menos dia o PC Farias da família Metralha vai cair e, junto com ele, tudo que esconde de criminoso essa família”, afirmou Paulo Pimenta. PC Farias foi tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor e figura central nos escândalos que levaram à queda do então presidente.

Milicianos

Segundo Pimenta, o caso Queiroz é uma demonstração gravíssima de como a família Bolsonaro tem manipulado e controlado as investigações, a começar pela inação da Polícia Federal, sob comando do ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. “Como milicianos pagam conta da família do presidente da República e a Polícia Federal não investiga?”, indagou o parlamentar.
Para o líder, Queiroz é o “elo” da família Bolsonaro – o presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) – “com o crime organizado e o mundo institucional”.

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