23 de abril de 2019

Pra quem ainda acha que a família de Lula roubou


Desde a morte de dona Marisa, filhos e noras de Lula ficaram traumatizados pelo infortúnio e a perseguição. “Quem acompanha de perto sabe a dificuldade que essas pessoas têm”, diz Paulo Okamoto, ex-metalúrgico responsável pelo Instituto Lula e um amigo do ex-presidente desde os tempos do sindicato em São Bernardo do Campo. “Não conseguem trabalhar, não têm tranquilidade para estudar, os netos são hostilizados na escola. Ao condenar o Lula, condenaram a família. Deviam sair do BrasiL mas quem vai fazer isso com um pai na cadeia?” “ Tampouco teriam condição para isso, já que atravessam sérias dificuldades financeiras. Estão com os negócios à míngua ou tecnicamente desempregados, à exceção da filha Lurian e do filho Luiz Cláudio, que acaba de assumir um posto de assessoria no gabinete do deputado estadual por São Paulo Emídio de Souza, do PT. Na terça–feira passada, Emídio foi instado a dar explicações à imprensa a respeito de sua escolha, e Luiz precisou esquivar-se dos repórteres. Vai ganhar 6 mil reais por mês.

“Que empresário dará emprego a
esse pessoal?”, pergunta~se Okamoto.
“É sempre a mesma história: ‘Mas os filhos do Lula são ricos, por que estão trabalhando aqui?’
O pedagogo Marcos, filho mais velho, cuida de um pequeno mercadinho e está tentando montar uma distribuidora de
carvão. Depois da morte de dona Marisa, mudou-se com a família para o interior de São Paulo, disposto a refazer a vida. Mas, num episódio nunca esclarecido pelas autoridades, teve a nova casa invadida pela polícia sob o argumento de que buscavam desmantelar uma quadrilha de tráfico de drogas. Levaram computadores, devolvidos mais tarde. Nada foi encontrado.
Desde então, ele e a mulher lutam para superar o trauma, transformado em doença. Todos os outros filhos foram alvos de busca e apreensões que reviraram imóveis, recolheram máquinas e documentos.
O neto Arthur, filho de Sandro
e Marlene, testemunhou a ação quando os policiais foram à casa da família. Não há notícia de que algo de suspeito tenha sido apanhado em qualquer uma
das operações. O ipad de Arthur, levado do apartamento de Lula, jamais foi devolvido. Desse processo, Sandro herdou
uma síndrome do pânico, hoje sob melhor controle.
Fábio Luís, 0 Lulinha, é um dos donos da PlayTV, um canal por assinatura que veicula informações sobre música, filmes, anímes e jogos de computad0r. Antes, firmara parceria com a Oi pa~
ra produção de conteúdo jovem para telefones celulares. De “sócio” da empresa nesse empreendimento, foi catapultado pelos antipetistas a “dono da Oi”. Fosse verdade, seria um grande case de fracasso, visto que o “dono da Oi” não consegue
mais acesso a empresários capazes de veicular seus reclames no canal.
“Tudo que se relaciona a Lula e ao PT ganhou a marca de uma grande 0rganização criminosa”, diz Okamoto. “A Receíta passou a fiscalizar em minúcia e aplicar sanções absurdas. O próprio instituto, por exemplo, foi multado em 15 milhões de reais por desvio de funçã0, mas nos últimos anos arrecadamos uma média de 5 mílhões por ano. Como vamos
pagar isso? Todas as empresas dos filhos do Lula foram investigadas por tráfico de influência. Se não encontram nada,
acabam achando algum problema
de gestão, muitas vezes erros que a gente comete sem nem saber que é proibido. Isso foi minando 5 negócios.” 0 filho Luiz Cláudio, que tentou montar uma 1iga de futebol americano no BrasiL foi denunciado por tráfico de influência pela Operação Zelotes. Réu em um processo e denunciado em outro.
Na cadeia há um ano, Lula não esmorece. “Qualquer pessoa que comete um crime e sabe que cometeu de alguma forma se entrega e apenas torce para pegar uma pena menor”, diz um de seus advogados, Luiz Carlos Rocha. ‘“A diferença para outros réus é a convicção que ele tem de não
ter feito nada de errado. Lula faz da sua inocência a sua força motriz. Não admite nem conversar sobre a possibilídade de um indulto, nem mesmo de uma prisão domiciliar. Quer ser julgado e inocentado.”
No primeiro dia de vIsita depois da
morte de Arthur, o deputado cearense José Guimarães, do PT, esteve na carceragem da PF. Assim que entrou, abraçou o ex-presidente e passou a dizer-lhe palavras de consolo. Foi interrompido na hora. “Zé, eu tenho 73 anos e ainda estou
tentando entender tudo o que aconteceu comigo. Vamos seguir em frente e vamos lutar!”

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